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Embrapa prevê algodão transgênico resistente ao bicudo

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Bicudo-do-algodoeiro

Bicudo é a principal praga do algodoeiro no Nordeste e no Cerrado. Foto: Regina Sugayama

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) trabalha em parceria com entidades e centros de pesquisa para o desenvolvimento de um algodão transgênico resistente ao bicudo-do-algodoeiro (Anthonomus grandis). Essa espécie de besouro, de coloração cinza ou castanha, mandíbulas afiadas e originária da América Central, chegou ao País na década de 1980, em São Paulo, e é considerada hoje a principal praga dessa cultura no Nordeste e no Cerrado, atingindo tanto variedades convencionais quanto Bt (resistentes a insetos).

“Em oito ou dez anos, essa semente [resistente ao bicudo] pode estar à disposição do produtor”, disse o chefe da Embrapa Algodão, Sebastião Barbosa, em entrevista ao Canal Rural durante o 11º Congresso Brasileiro do Algodão, que terminou no dia 1º em Maceió. O controle de pragas foi um dos principais assuntos desta edição do evento, que teve como tema “Inovação e rentabilidade na cotonicultura”.

A pesquisa envolverá duas unidades da Embrapa (Algodão e Recursos Genéticos e Biotecnologia) e o Instituto Mato-grossense do Algodão (IMAmt), com financiamento da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (ABRAPA), através do Instituto Brasileiro do Algodão (IBA). Na primeira fase do projeto, serão investidos cerca de R$ 18 milhões ao longo de cinco anos.

A Embrapa já trabalha na modificação de plantas do algodoeiro, introduzindo genes da bactéria Bacillus thuringiensis, que produz toxinas letais para alguns insetos. Mas, apesar de existirem no mercado várias opções de algodão geneticamente modificado resistentes a lagartas, ainda não existe algodoeiro resistente ao bicudo. Entre as etapas do projeto, estão a prospecção de genes e promotores moleculares, a transformação genética de plantas de algodão e estudos da eficiência das plantas transgênicas no controle do bicudo em laboratório, casa de vegetação e campo.

Segundo o engenheiro agrônomo e consultor do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB) José Magid Waquil, a pesquisa da Embrapa para obter algodão resistente ao bicudo está em andamento há vários anos. “Essa seria uma tecnologia revolucionária para o Manejo Integrado de Pragas (MIP) no algodoeiro”, destaca.

O uso da biotecnologia para controlar esse inseto pode significar uma enorme economia aos produtores brasileiros, que gastam cerca de US$ 80 milhões por ano, ou US$ 250 por hectare, para combater o bicudo, apontam estimativas. Sozinho, o inseto é responsável por mais de 10% dos custos totais de produção do algodão. Além das perdas de produtividade, ele causa impactos à saúde humana e ao meio ambiente.

O bicudo fura a maçã (fase de abertura do fruto) e o botão floral do algodão para se alimentar. Nesse orifício, deposita seus ovos e sela o buraco com uma cera de proteção, explica Waquil. O besouro tem, em média, 7 milímetros de comprimento. Seu ciclo de vida, do ovo ao animal adulto, completa-se em cerca de 20 dias. Portanto, podem ocorrer até seis gerações do besouro em uma única safra, o que justifica a preocupação dos agricultores em eliminar essa praga das lavouras. Os produtores de algodão chegam a fazer entre 15 e 40 aplicações de inseticida durante a safra.

Bicudo Embrapa

Besouro fura maçã e botão floral do algodão para comer e pôr ovos. Foto: Sebastião José de Araújo/Embrapa

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